judeusA contribuição dos judeus para a humanidade é patente desde Abraão – o primeiro hebreu que há mais de quatro mil anos emigrou para Canaã e fundamentou o conceito do Deus Único e a prática da caridade e da justiça. Veio depois Moisés, que libertou os hebreus da dura escravidão do Egito em 1150 a.C., formou a primeira organização governamental e nos transmitiu os Dez mandamentos de Deus, pedra fundamental da Bíblia hebraica (Torá) e uma das maiores contribuições à humanidade, que ainda hoje formam as bases das leis morais e regras éticas que regem as sociedades judaico-cristãs.

Nenhum outro povo nascido na mesma época que os judeus, diante das mais terríveis ameaças à sua sobrevivência, teve tenacidade para manter-se vivo e unido até os dias atuais. Nenhum outro povo conseguiu preservar suas memórias e aspirações por milhares de anos de perseguições ou apresentou força de espírito para sobrepujar séculos de adversidades. Nenhum outro povo teve a incrível capacidade de se reinventar e de se reerguer a cada tragédia. O judaísmo europeu foi da quase eliminação para a criação do estado de Israel, ou seja, em muito poucos anos nenhum outro povo foi capaz de tamanha virada em sua história em tão curto intervalo de tempo.

O foco geográfico da história do povo judeu mudou algumas vezes ao longo da história, em função da diáspora judaica. Por cerca de 2.200 anos sua história passou-se basicamente no Oriente Médio (Palestina, Egito e Mesopotâmia), mas com o início da diáspora, no ano de 135 da nossa era, com a destruição do templo de Salomão pelos romanos, boa parte dos judeus se espalhou pelo mundo e a história judaica passa a ser contada em diversas regiões e países do Oriente Médio, Europa, Ásia e Américas. Somente com a criação do estado de Israel, em 1948, o foco da história voltou ao seu lugar inicial. Os judeus que não retornaram à Terra Prometida passaram, no entanto, a ter um papel fundamental no apoio financeiro e político a Israel.

A espantosa mobilidade geográfica judaica criou duas circunstâncias interessantes e que têm íntima relação de causa e efeito: as inúmeras ondas migratórias da diáspora judaica e o quanto os judeus influenciaram o poder econômico (e militar) das nações em que chegaram. O estabelecimento em um país de boa parcela do povo judeu, transformando-o no principal centro judaico de atividade intelectual, econômica e política sempre contribuía para sua supremacia global. Vimos tal fato acontecer na Espanha, (que teve sua época de ouro com a migração judaica, sendo que Toledo era considerada a Jerusalém do ocidente, pela integração em seu território de cristãos, árabes e judeus), seguindo por Portugal, onde os judeus deram um grande alento às grandes navegações, contribuindo em todos os sentidos, Holanda (com seus ourives que lidavam com ouro e diamantes), Inglaterra e mais tarde pelos Estados Unidos da América. Exatamente nessa ordem cronológica, esses países tiveram sua ascensão hegemônica após uma forte migração de judeus para suas fronteiras. Aqui também se inclui o Império Austro- Húngaro (1867-1916), no qual os judeus tiveram uma ascensão notável e fizeram desse pedaço da Europa, nessa época, um centro irradiador da cultura moderna.

Além disso, os judeus tiveram grande participação na mudança do sistema feudal para o capitalismo comercial, na expansão do velho Continente para o Novo Mundo e ainda na revolução industrial.

Citado por Marcelo Szpilman em seu livro JUDEUS – Suas Extraordinárias Histórias – o escritor norte americano Mark Twain escreveu, certa vez: “Outros povos surgiram e mantiveram bem alta a chama de sua liderança, durante certo tempo, mas sua luz se consumiu e hoje estão na obscuridade, ou simplesmente desapareceram. Os judeus conheceram esses povos e os sobrepujaram. Tudo é mortal, exceto os judeus. Todas as outras forças passaram, mas os judeus permanecem. Qual o segredo de tal imortalidade?”

Fé inabalável? Forte espírito de sobrevivência? Tenacidade? Difícil responder, mas talvez um dos grandes segredos dos judeus seja sua permanentemente apurada capacidade de mudança e de adaptação às tendências e imposições de outros povos.

Quem pode ser considerado judeu?

O que faz de alguém um judeu, já que o judaísmo não se limita à identidade religiosa e não há uma única forma de se identificar um judeu?

A lei judaica atual considera judeu todo aquele que nasce de ventre judeu ou se converte ao judaísmo de acordo com essa mesma lei.

Para começar, o judaísmo, por não ter um poder central e estar alicerçado na livre interpretação da Torá divide-se hoje em quatro principais movimentos:

1) Ortodoxo: ou judaísmo rabínico, que segue ao pé da letra as leis, tradições e costumes judaicos compilados pelo Talmud.
2) Conservador: segue também o Talmud, mas sem a rigidez do ortodoxo.
3) Reconstrucionista: acredita que a autonomia individual se sobrepõe às leis e costumes judaicos, sendo mais liberal que o ortodoxo e mais tradicional que os reformistas, o próximo movimento.
4) Reformistas: progressista ou liberal, defende a autonomia individual e a introdução de novos conceitos e ideias nas práticas judaicas, com o objetivo de adaptá-los ao momento atual.

Os reformistas permitem à mulher chegar ao rabinato e alguns rabinos oficiam casamentos inter-religiosos, apoiando a expansão judaica aos casais desse último tipo. O judaísmo reconstrucionista e o reformista consideram judias as crianças nascidas de pai judeu e mãe não judia, desde que educadas de acordo com a religião judaica, embora pela tradição só poderiam ser consideradas judias as crianças nascidas de mãe judia.

Há também o Judaísmo Laico, que é uma visão de parte do povo judeu que entende ser possível viver o judaísmo desvinculado da religião. Nesse sentido, um judeu que deixe de praticar o judaísmo ou que não aceite os princípios da fé judaica e se torne agnóstico ou ateu continua a ser considerado parte do povo judeu. Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, seria incluído nesse grupo, pois embora tenha sido ateu durante toda a sua vida, sempre se considerou judeu.

Quanto à lei do ventre judaico, pela qual só são judeus os que nascem de mãe judia, ela se deve ao fato de que, nas palavras do rabino Nilton Bonder “na expulsão dos judeus de Jerusalém por Adriano, imperador romano, muitos romanos estupraram e engravidaram milhares de mulheres judias, como demonstração de poder e imposição de sua etnia. Diante da nebulosa perspectiva para a continuidade do povo judeu, os rabinos decidiram mudar a lei que até então determinava que a descendência judaica passasse de pai para filho. Não podendo dar-se ao luxo de não reconhecer boa parte da nova geração que nasceria, determinou-se que, a partir daquele momento, seria considerado judeu todo aquele que nascesse de ventre judeu”.

Como se conservou o judaísmo depois da queda de Jerusalém

O rabino Ben Zacai, temendo que o mundo judeu e o judaísmo ficassem à deriva com a queda de Jerusalém, instalou, pouco antes da destruição do templo, um centro de estudos no povoado de Iavne, na costa da Judeia, onde passou a dedicar-se ao ensino das leis judaicas (Torá). Quando o imponente templo caiu surgiram as singelas sinagogas, e quando os sacerdotes morreram, vieram os rabinos. O culto prestado a Deus, que no templo era desempenhado pelo sacrifício, passou a ser feito através de orações e a vida judaica (religiosa, social e cultural), passou a ser construída ao redor das sinagogas e dos rabinos. Foi o começo do novo judaísmo. Os romanos perceberam essas mudanças, expulsaram os rabinos de Iavne, mas logo foram surgindo outros centros de estudos, que, décadas mais tarde acabaram por elaborar uma nova forma de vida para os judeus, contida na Mishná (que é uma compilação das leis judaicas e tradições legais). Até essa data as leis, códigos de conduta e costumes judaicos eram transmitidos oralmente, desde 816 a.C.

Alguns dos princípios de vida contidos na Mishná contribuíram para formar a base da ética judaico-cristã da humanidade ocidental contemporânea. A idéia de que a vida é sagrada, porque foi criada à imagem e semelhança de Deus, sendo que o suicídio é repudiado, já consta desse documento. Também aí consta a idéia de que todos os homens têm direitos iguais e um homem não pode salvar sua vida causando a morte de outro, mas não lhe é pedido que sacrifique sua vida para salvar o outro. Cada homem, para a Mishná, é um símbolo de toda a humanidade: quem destrói um homem, destrói o princípio da vida, como também quem salva um homem resgata a humanidade. Servir à comunidade é uma obrigação. Um homem sábio deve contribuir com sua sabedoria, assim como um rico deve contribuir com sua riqueza.

“Cada um dá o que pode, e a cada um, conforme a sua necessidade”. Esse foi um princípio de vida adotado e implantado pelos judeus séculos antes da era de Cristo. Por causa dessas particularidades todas foi possível aos judeus permanecerem unidos como povo nos diversos lugares para os quais se dirigiram depois da diáspora e onde formaram novas comunidades. Foi esse também um princípio que os manteve coesos diante das muitas adversidades que enfrentaram.

Os judeus na Europa

A partir dos séculos XIII e XIV, os judeus direcionaram seu foco migratório para a Europa Central e Oriental (Polônia, Ucrânia, Lituânia e Rússia), onde a interferência da Igreja Católica era menos forte. Ficaram conhecidos como Ashquenazim, termo proveniente do antigo nome hebraico para Alemanha ou alemão, Ashquenaz. Os ashquenazim criaram o iídiche, língua falada por todos os judeus da Europa Central e do leste. Essa língua é uma mistura do alemão medieval, ao qual foram acrescentados elementos linguísticos importados do hebraico, aramaico, romano, eslavo e ainda de outras línguas. O iídiche se transformou em eficaz instrumento cultural de união. Às vésperas da segunda guerra mundial cerca de sete milhões de judeus da Europa central e do leste, assim como três milhões de judeus nos EE.UU da América e um milhão de judeus espalhados pelo mundo se comunicavam em iídiche. O escritor judeu polonês Isaac Bashevis Singer, ganhador do prêmio Nobel de literatura de 1978, só escrevia em iídiche. Seu prêmio veio pelo
conjunto de sua obra (36 livros), que retrata a sociedade e as tradições judaicas na Europa, principalmente nas pequenas aldeias polonesas.

Já os judeus da península ibérica (Portugal e Espanha) são conhecidos pelo nome de sefaradim, que se origina do nome hebraico para Espanha (Safarad). Também eles criaram sua própria língua judaico-espanhola, o ladino.

A inquisição na Espanha e em Portugal, a partir do século XV, forçou os judeus a se tornarem cristãos. Os judeus convertidos à força na Península Ibérica são os chamados judeus marranos. Aos que se convertiam também era dado o nome de cristãos novos, e muitos dos sobrenomes com designação de árvores, frutas e profissões (Oliveira, Pereira, Coelho, Ferreira) substituíram os antigos nomes judaicos, para que houvesse uma assimilação maior à cultura local e menos perseguições para as famílias recém assimiladas.

Os judeus provenientes do Iraque, da Síria, do Egito, do Marrocos e demais países árabes são chamados de Mizrahim, que significa orientais, e sua fala e nomes são árabes.

Nem sempre aceitos e muitas vezes perseguidos, uma vez nos países da Europa os judeus se viram obrigados a atuar no ramo de empréstimos a juros, atividade malvista pelos europeus, em geral, e na qual ainda eram submetidos a pagar pesados impostos. Como não tinham segurança de permanência nos países em que habitavam e as expulsões eram freqüentes, a posse de bens imóveis lhes era difícil. O dinheiro e o ouro tinham também liquidez, o que facilitava levá-los consigo no caso de fugas repentinas.

Com exceção da Áustria, que em 1244 outorgou aos judeus que viviam em seus domínios, especialmente em Viena, uma carta de privilégios estipulando limitações, obrigações e direitos, as condições de trabalho dos judeus no ramo de empréstimos a juros durante o Sacro Império Romano Germânico eram muito precárias. Não havia tribunais que atendessem suas demandas e os clientes só pagavam suas dívidas quando precisavam de um novo empréstimo. Os judeus eram constantemente roubados e muitos morriam torturados para revelar o esconderijo do dinheiro.

A base de relacionamento entre cristãos e judeus passou a ser a seguinte: o empréstimo a juros, considerado uma extorsão, seria tolerado aos judeus, mas os cristãos teriam direito de lesar seu patrimônio. A lógica de ‘mal necessário’, ambígua, era a de que os judeus se mostravam agressivos e hostis, ao emprestar dinheiro a juros e a sociedade cristã tinha direito de se ‘proteger’. O cobrador tinha de ir de porta em porta dos devedores, o que fazia o mau pagador incitar os amigos e vizinhos contra os judeus, ao acusá-los de mesquinharia. Tudo isso acabou despertando grande ódio na população cristã e gerou, desde aquela época, o estigma de que os judeus só pensam em dinheiro. Ainda que esse ofício lhe trouxesse certo poder, pois todos, de servos a nobres precisavam de empréstimos a juros, os judeus eram sempre vítima dos desejos e caprichos de reis e suas cortes. Estes os incentivavam a emprestar o dinheiro a juros e quando prosperavam eram espoliados com tributações especiais e extorsivas. Depois começavam os roubos e mortes de judeus e quando não sobrava mais nada eram expulsos do país e tinham seus bens confiscados. Daí veio o nome de ‘judeus errantes’, pois iam de um país a outro, por causa das expulsões freqüentes.

O surgimento dos guetos

Desde a antiguidade, os judeus tendiam a grupar-se em ruas ou bairros judaicos, quando viviam em cidades alheias. Na Europa, na Idade das Trevas, muitas vezes para se protegerem, os próprios judeus exigiam segregação e muralhas altas como condição para se fixarem numa cidade. Tendo com motivos a forte rejeição da Igreja Católica e as hostilidades acumuladas pelas Cruzadas, os judeus foram mantidos isolados do resto da população.

As cruzadas consistiram num movimento para invadir e libertar a Terra Santa (Jerusalém) das mãos dos árabes muçulmanos. A igreja Católica, através do papa Urbano II, apelou às Cruzadas, em 1096. Ainda que houvesse um objetivo religioso, maiores eram os interesses políticos, comerciais e financeiros em jogo, já que a igreja precisava também de novos recursos para aumentar e manter sua área de influência na Europa. A quem participasse das Cruzadas era permitido ficar com os bens materiais que conseguisse tomar nas terras onde havia ‘fartura de leite e mel’ e ainda teria seus pecados perdoados. Os exércitos cruzados encheram-se de aventureiros interessados em saquear e fazer fortuna. Embora perseguissem os muçulmanos, os judeus encontrados no caminho ficavam em perigo, caso não se convertessem ao cristianismo imediatamente. Foi um grande massacre das populações judaicas na Europa. Os judeus foram quase dizimados.

Voltando à vida nos guetos, os judeus eram obrigados a pagar pesados impostos e contribuições forçadas, enquanto seu contato com a população cristã era mínimo. De dia podiam sair e realizar seus negócios, usando roupas que os identificassem, mas, após o anoitecer tinham de ficar dentro dos muros. Quando viam que sua situação lhes dava alguma segurança e certo impedimento de que fossem expulsos, os judeus passavam a aceitar a opressão e o status de pessoas de segunda classe.

A palavra gueto é controversa: uns dizem que se origina do hebraico guet (separação), ou do italiano borguetto (quarteirão). O primeiro gueto de que se tem notícia se instalou em Veneza, em 1515, para alojar judeus refugiados (por causa da Inquisição), das expulsões espanholas e portuguesas, no lugar onde existia uma fundição de canhões, conhecida como ghetto nuovo. No entanto, uma das principais citações da palavra já se encontra no Código das leis Canônicas da Igreja Católica, de 1266.

Os guetos, independentemente de sua origem, eram semelhantes. Ainda que fossem capazes de proporcionar uma vida cultural intensa, com escolas, sinagogas e jornais, eram relativamente pequenos e o muro que os separava do resto da população limitava fisicamente seu espaço. Ao se multiplicarem, os judeus necessitavam de mais espaço e as velhas casas eram ampliadas para os lados e para o alto, até o momento em que a luz do sol já não penetrava mais nas ruas e moradias. Famílias inteiras habitavam o mesmo quarto. Os habitantes do gueto possuíam características próprias: magros, encovados e pálidos, eram facilmente identificados pela aparência e estigmatizados por ela. Essas circunstâncias degradantes os levaram a desenvolver algumas características anti-sociais, como timidez, constrangimento e desconfiança dos vizinhos, mas em contrapartida, desenvolveram aversão aos horizontes limitados o que favoreceu a mobilidade e o universalismo judaico.

O Império Austro- Húngaro, período de ascensão dos judeus na Europa (1867-1918)

Um acordo entre as nobrezas austríaca e húngara em 1867 tornou o Império austríaco do Habsburgo, antiga dinastia européia, no grande Império Austro –Húngaro. Francisco José I, imperador da Áustria, tornou-se também rei da Hungria (1867-1916, ano da sua morte), e ampliou consideravelmente seus territórios. Quando o Império Austro-Húngaro foi dissolvido em 1918, ao término da primeira guerra mundial, abrangia 13 países atuais: Áustria, Hungria, partes da República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Croácia, Bósnia, regiões da Sérvia, Montenegro, Trentino e Trieste na Itália, Transilvânia na Romênia, Galícia na Polônia e Rutênia na Ucrânia.

Os milhares de judeus que lá viviam formavam um conjunto de comunidades muito diferentes entre si, e foram sendo integrados, em diversas épocas às fronteiras das monarquias em questão. O centro da monarquia austríaca continuava sendo Viena. Francisco José emancipou os judeus também em 1867, o que provocou mudanças na estrutura social e profissional da Áustria. A população judaica aumentou consideravelmente em função da imigração de judeus de outras regiões do Império. Em 1890, os judeus representavam 12% da população. Com a emancipação e o conseqüente acesso às universidades, houve um crescente número de profissionais liberais entre eles. Em 1880, um terço dos estudantes universitários de Viena era de judeus. No entanto, apenas as carreiras de medicina, direito, filosofia e jornalismo eram abertas para os judeus, e em seus respectivos cursos a proporção deles era bem mais alta que a de não-judeus. Na escola de medicina em Viena, 48% dos estudantes eram judeus. Aliás, em toda a Europa os judeus eram predominantemente os médicos de então, já que a carreira lhes era granjeada e a profissão muito exigente: ‘coisa para judeus’. A ela muito se dedicaram. No Império Austro–Húngaro, assim como em outros países, as carreiras política e militar eram vedadas aos judeus.

A partir da década de 1860, a expansão territorial da monarquia foi acompanhada pela expansão econômica, industrial e cultural da Áustria. Os judeus de Viena, que tiveram um importante papel nos negócios bancários, no comércio e na indústria, também se destacaram nas profissões liberais, como medicina, filosofia, música, literatura, artes visuais e jornalismo. Formaram uma rica safra de pensadores e artistas, que fizeram de Viena um dos expoentes mundiais da criatividade científica e cultural do mundo de então. Foram os introdutores da modernidade e entre eles se destacam: Sigmund Freud, o criador da psicanálise; o filósofo Ludwig Wittgenstein; os escritores Franz Kafka, Karl Kraus, Arthur Schinizler; os arquitetos Adolf Loos e Otto Wagner, criadores da arquitetura funcional; os músicos Gustav Mahler, grande compositor erudito que teve de negar a fé judaica para se tornar diretor da famosa Ópera de Viena: o compositor Arnold Shönberg criador do movimento musical dodecafônico, ou música atonal; os pintores Egon Schiele e Oskar Kokoshka (que trouxe a arte para fora das paredes dos museus). Enfim, vários expoentes em suas áreas, o que fez com que o escritor vienense Stefan Zweig, que chegou a morar em Petrópolis (RJ) e lá morreu, dissesse que “90% daquilo que o mundo celebra como cultura vienense do século XIX foi promovido, alimentado ou criado pelos judeus da cidade”.

É preciso lembrar aqui de dois judeus alemães contemporâneos do Império Austro -Húngaro e que foram extremamente importantes para a história da Humanidade: Albert Eisntein, que criou a teoria da relatividade e revolucionou a física, tendo sido ganhador do prêmio Nobel de ciências e é o cientista mais proeminente do mundo moderno; e ainda Karl Marx, que além de ter sido um dos fundadores da sociologia criou a teoria marxista, uma das grandes teorias que influenciaram muitas gerações dos séculos XIX e XX.

Em 1914, às vésperas da primeira guerra mundial, viviam em Viena cerca de 200 mil judeus. Budapeste, a capital da Hungria, que tinha uma comunidade judaica de pouco mais de 6 mil judeus em 1910 atingiu mais de 20 mil logo depois. Toda essa efervescência cultural foi duramente atingida pela guerra de 1914 e os Habsburgos foram varridos do mapa ao seu final em 1918.

Em 1938, com Hitler já no poder, a Áustria é anexada à Alemanha. Os horrores do nazismo se intensificam, o que elevou o anti-semitismo ao seu mais alto grau e chegou a exterminar das maneiras mais atrozes cerca de 6 milhões de judeus.

Depois da segunda grande guerra, houve o retorno de muitos sobreviventes judeus à Palestina, onde se fundou e se legalizou o estado de Israel.

Mas a importância dos judeus para a humanidade sempre foi visível. Contrariando as teses raciais pseudo-científicas da inferioridade semita, os judeus se tornaram o povo que mais recebeu o Prêmio Nobel, em todas as suas categorias: ciências, filosofia, arte, finanças, etc. Juntos perfazem um total de 20% de ganhadores desse prêmio mundial, que distingue os que contribuíram para o avanço e o bem estar da comunidade humana.

Eliana Rodrigues Pereira Mendes
Psicanalista do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais
Maio, 2015.

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Comentários   

 
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