A Onda Infame de um Gesto

vereador-floriano-pesaro"Estamos em uma época perigosa. Pensamos que o mundo andava mais civilizado, que as dolorosas lições de duas Guerras Mundiais haviam ensinado a Europa sobre a imbecilidade do ódio. Mas, claramente, este não é o caso.

Infelizmente, cada vez mais, sinais alarmantes surgem no velho continente.

A última moda abjeta surgida na França é a tal da quenelle, o gesto nazista ao contrário criado por um comediante francamente antissemita chamado Dieudonné M’bala M’bala.

Explorando um humor azedo e divagando desvarios, este personagem maléfico usa expressões como “IsraeiHeil,” e “Shoahnanas” fazendo um trocadilho com a palavra Shoá e ananás, que significa abacaxi em inglês, além de ter comentado em seu show que estava triste por não existir mais as câmaras de gás para poder enviar um certo jornalista judeu para lá.

Dieudonné concorreu para uma vaga no parlamento pelo partido ultra nacionalista de Le Pen e declara-se violentamente antissionista e conta o sistema, o qual diz ser mantido por judeus.

Este suposto comediante convidou também Robert Faurisson, um importante escritor francês que nega o Holocausto, para ser estrela de seu show.

Tudo isso seria nojento, mas limitado, se Dieudonné não fosse atraente a uma plateia de jovens franceses sem perspectivas que vive na periferia e se sente oprimida pela fobia contra o Islã e acaba misturando tudo: raiva contra o sistema, raiva contra Israel, antissemitismo.

Assim, em um de seus vídeos, Dieudonné chama a quenelle, o gesto nazista, como símbolo de “fé e coragem” e este foi o estopim da uma onda de propagação dos gestos que é lamentável e condenável.

Personagens formadores de opinião o replicaram, nazistas infames fizeram o gesto diante de Auschwitz, vários jovens franceses o fizeram diante da escola de Toulouse onde foram assassinados quatro judeus.

Quer dizer, uma onda se alastra e não podemos ficar indiferentes.

As autoridades francesas têm se mostrado diligentes e cancelaram os shows de Dieudonné e buscam processá-lo de todos os modos, mas temos que fazer nosso papel: divulgar para que todos saibam e se indignem diante do que ocorre na França.

O judaísmo e os judeus sofrem mais uma vez na Europa.

29% dos franceses dizem ter sentido na pele o antissemitismo nos últimos dois anos e afirmam ser histórias pessoais.

Enquanto que a emigração para Israel no mundo subiu 1% em 2013, a França contribuiu com 49%, principalmente pela sensação de antissemitismo.

Muitos analistas, que sempre tiveram uma ideia mais amena do antissemitismo europeu, começam a suspirar mais profundamente ao pensar no quadro que se desenha.

Nossas armas são as palavras, as ações punitivas, as demonstrações de repúdio.

A resposta imediata.

Que não sejamos testemunhas novamente da desumanidade."

Floriano Pesaro
Sociólogo e Vereador

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